domingo, junho 21, 2009

A palavra solta



Não penso
Procuro
Percorro às avessas
O tempo obscuro
Envolvo o corpo
Nas pregas tecidas
De antigos minutos
Deslizo num túnel
De horas sofridas
Não paro
Recuo
Caminho na borda
Do sentir revolto
Da espiral inversa
E volto
Ao verso primeiro
À palavra solta
No espaço contido
Do eu verdadeiro.

22 comentários:

Paula Raposo disse...

Ora eu faria minhas as tuas palavras...beijinhos.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA AMIGA, SUBLIME POEMA... VOTOS DE BOM DOMINGO... ABRAÇOS DE CARINHO,
FERNANDINHA

entremares disse...

Vale a pena tentar...

Porque estava a água tão azul ?

Abriu os braços e deixou-se ir. O fundo do oceano chamava-a, num murmúrio silencioso que mais ninguém, para além dela própria, ouvia. Talvez fosse só o rebentar das ondas nos recifes de coral, à superfície; ou o rolar das conchas no fundo de areia, empurradas pela corrente. Ou talvez não fosse nada.
Um silêncio imenso, azul, tomou-lhe o corpo, enquanto se afundava devagar, contemplando a superfície luminosa das águas a afastar-se, cada vez mais distante, mais distante...
Era uma forma de partir, tal como outra qualquer.
Era uma forma de desistir, de renunciar ao sofrimento, de dizer basta à doença, de aceitar... que nem sempre se pode vencer.
Soltou as últimas bolhas de ar que ainda conservava consigo e ficou a vê-las subir, rumo à superfície... enquanto ela se afundava mais e mais, para uma água cada vez mais azul, rumo à escuridão.
O médico dissera-lhe: mais seis meses... talvez um ano, se tiver sorte...
Não era justo.
Tanta coisa ainda por fazer... tantos projectos inacabados... tantos sonhos por cumprir... e uma doença, seis meses de vida, talvez um ano? Se tivesse sorte?
Não era justo.
Mas a vida não tinha que ser forçosamente justa, pensou. Sentira as primeiras dores no mês anterior, e depressa compreendeu o que a esperava, nos tempos seguintes.
As dores repetiram-se, aumentaram de intensidade. O médico também a avisara disso. O próximo passo seria a cirurgia, a amputação, e depois... nem ela sabia o que seria o depois.
A falta de ar apertou-lhe o peito.
À sua volta, um bando de peixes coloridos parecia intrigado, pela presença daquele corpo inerte, afundando-se vagarosamente no oceano.
A vista turvou-se, misturando formas e cores numa aguarela confusa.
Deixou-se ir.
Algo a tocou. Abriu os olhos.
O que era aquilo?
Uma tartaruga? Nunca estivera assim tão perto de uma...
Passou-lhe a mão pela carapaça, lisa e escorregadia. Ela devolveu-lhe o gesto, debicando-lhe o braço frio. Só então reparou, quando a viu afastar-se.
O pobre animal já sofrera no corpo a investida de algum caçador, faltava-lhe um dos membros inferiores. Nadava desajeitada, em sucessivas curvas, mais devagar do que seria normal... mas mesmo assim, sobrevivera, e ainda continuava viva, nadando...
Ficou a vê-la afastar-se, rodeada por um séquito de pequenos peixes, como se de uma autêntica corte se tratasse.

Contemplou novamente a superfície esbranquiçada das águas, cada vez mais longínqua.
Valeria a pena?

Não sabia.
Sabia simplesmente que... tinha que tentar.
Abriu os braços e apontou à superfície. Podia já não ter ar suficiente... mas valia a pena tentar...

~pi disse...

entre palavras e vida,

o poço

e o túnel

a per co r rer




beijo




~

heretico disse...

o percurso inverso como espiral de novos percursos. sempre...

belíssimo.

beijo

Rosangela Neri disse...

Belo... belíssimo!!!

Beijinhos de boa semana!

www.maisvital.com

innername disse...

o tempo todos os dias ate que nos canse ou consuma...
esse teu poema fez-me lembrar a hipnose.

Lmatta disse...

belo poema
beijos

Fa menor disse...

Por vezes é preciso mesmo voltar ao ponto de partida...

Bjins

Laura disse...

também me acontece isto...

nuvem disse...

Que bonito :)

Beijos

Mar Arável disse...

Pelo sonho é que vamos

Sempre

R. Sant'Anna disse...

Bonito poema.
Tenha uma boa semana.

Secreta disse...

Um espiral de palavras, de sentires, de vida...
Um beijito.

as velas ardem ate ao fim disse...

Tanto sentir em ti!

um bjo minha querida

O Profeta disse...

Chegou ao fundo de mim
A melodia da chuva miúda
Lavou-me a alma, a saudade
Nasceu uma planta gerada do nada

Nasceu!
Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante


Boa semana



Doce beijo

Maria Clarinda disse...

(...)Caminho na borda
Do sentir revolto
Da espiral inversa
E volto
......

Lindo, lindo este teu poema, revejo-me nela em cada palavra que fazem parte dele...
Um beijo de carinho!

Tchi disse...

Grande remodelação. Embelezada no azul que te diz, também, a ti e nos fala da tua sensibilidade e delicadeza.

Beijinhos.

Vasco Gamito disse...

É fundamental reinventarmo-nos. Boa semana!

as velas ardem ate ao fim disse...

um bjo

innername disse...

andas numa de self, território agreste do self?
beijinho

Cristiane Galvão disse...

Belíssimo o poema!!
Adorei o blog!
Visite o meu tambpem http://crispalavras2009.blogspot.com

Cris.