terça-feira, junho 30, 2009

cor mutável

by June Miller

Olho três vezes a imagem no espelho. Nunca idêntica. O que muda é a cor. Não a dos olhos, a dos cabelos ou da pele. A cor de mim. Já não procuro identidade. Camaleão adaptável num labirinto sem saída. Chocando com as paredes em tons de arco-íris. Rasgando a pele a cada mudança.

15 comentários:

Paula Raposo disse...

Antes pelo contrário. A cor de nós não muda...gostei de te ler. Beijos.

Laura disse...

Eu também me vejo em cores...
Fantástica reflexão.

Susana disse...

Olá Vida de Vidro!

A blogagem da Aldeia da Minha Vida foi um grande sucesso, graças à sua participação e divulgação.

Convido-o(a) a participar na próxima blogagem de Julho “ Férias na Minha Terra”.

É uma oportunidade única para demonstrar a todos que vale a pena passar férias no nosso país, especialmente na nossa querida terra, seja ela aldeia, vila ou cidade.

Inscreva-se e mande o seu texto até 7 de Julho para o seguinte e-mail: aminhaldeia@sapo.pt

Para premiar a sua participação, vamos atribuir ao melhor post um fantástico prémio e ao melhor comentário também.

Muito obrigado pela sua atenção!

Votos de um feliz dia!

Susana Falhas

entremares disse...

Aproximou-se um pouco mais do espelho.
Por vezes, a imagem reflectida não correspondia ao que lhe ia na alma. A culpa não seria do espelho, certamente... mas talvez só da disposição, do grau de alegria ou tristeza que conseguia reconhecer no olhar.
“Tens uns olhos lindos”, dizia-lhe o marido, amiúde
Eram penetrantes, de um castanho escuro que ela sabia realçar como ninguém, sem abusar de todos os truques de maquilhagem à sua disposição.
Ou talves fosse simplesmente da juventude – beleza simples e descontraída – que irradiava à sua volta, em casa, no trabalho, na rua, nos transportes públicos...
Eva correspondia aquele perfil de mulher que “está bem com a vida”. Na flor da idade, um emprego estável numa reputada empresa financeira, uma familia tradicional da provincia, um casamento por amor, sem problemas económicos, ainda sem filhos. O marido, arquitecto de profissão, conhecera-o numa festa de passagem de ano, quatro anos antes. Fora amor à primeira vista.
Um namoro rápido, um casamento rápido, todos reconheciam que aqueles dois tinham sido feitos um para o outro.
É claro que ninguém é perfeito. Ela atacava os chocolates às escondidas e fumava cada vez mais, apesar de já ter tentado parar por diversas vezes. Ele comia demasiado à noite, ressonava um tudo mais alto que o suportável e de vez em quando era possuido por ataques de ciumes parvos, alimentados pelo facto de ela só ter colegas de trabalho do sexo masculino.
Mas a vida era bela... e os quatro anos de casamento voaram num ápice, sem sobressaltos de maior. Eva foi promovida, trocou de escritório, ascendeu à direcção. Ele, o Paulo, conseguiu um contracto fabuloso para o desenho de um bairro elegante em Madrid.
Apesar de todos os afazeres, as férias continuavam a ser gozadas a dois. No algarve, em Cabo Verde, na República Dominicana.
Claro que nas últimas férias, precisamente as gozadas nas caraíbas... ocorrera aquela pequena peripécia... mas pronto, eram águas passadas. Ele pedira-lhe logo desculpas pela bofetada, bebera um pouco mais que a conta... e até lhe comprara no dia seguinte aquele anel de diamantes que deslumbrava em todas as festas.
Mas a vida continuou.
Os pais do Paulo, filho único, viam nela a sua “princesinha”, como eles gostavam de frisar – a princesa encantada que conquistara o coração do seu filho. Mimavam-na, visitavam-na com regularidade… e cada vez com mais regularidade também lá iam indagando pelo herdeiro, que claro que mais dia menos dia gostariam muito de ter um netinho, e que sempre estariam disponíveis, etc, etc, etc. Eva sorria, com o mesmo sorriso que devolvia à mãe, quando ela lhe fazia a mesma pergunta.
No Natal anterior, deram um salto até à Serra da Estrela – muita neve, um chalé só para eles, lareira na sala, velas sobre a mesa. Um fim de semana memorável, não fosse mais um daqueles pequenos “incidentes” com o mau feitio do Paulo, sempre que os ciúmes assomavam à flor da pele. E como de costume, sempre infundados, que Eva só tinha olhos para ele.
O agente de viagens, solicito, ainda lhes tentou vender o pacote de fim de ano. Talvez tenha sido até um pouco mais simpático para Eva do que deveria. Ou não. Paulo achou que sim, que Eva escusava de sorrir tanto para o funcionário gentil. Mal se viram sozinhos no quarto a conversa azedou e Eva experimentou, pela segunda vez na vida, a fúria insensata do marido.
Felizmente tudo se resolveu. Ela sabia, melhor que ninguém, como o acalmar.
Aproximou-se um pouco mais do espelho.
Era raro pegar no estojo de maquilhagem mas… naquele dia, iria abrir uma excepção.
Talvez colocar uma base… ou carregar mais na pintura dos olhos.
Acendeu a luz, bem por cima do espelho.

Não… pensando bem… talvez a maquilhagem não fosse suficiente…

heretico disse...

camaleónica é vida...
belíssimo

beijo

Lmatta disse...

LINDO
beijos

hfm disse...

O pior são esses rasgões na pele com que a vida nos mimoseia. Um beijo.

Laura disse...

Deixei para ti um mimo no meu canto.

Ad astra disse...

renovação constante!


Um beijo

Susn F. disse...

Adorei esta conjugação do sentido das cores das palavras e da imagem.

Beijinhos

Licínia Quitério disse...

... e todavia idêntica a si mesma.

Beijinho.

dona tela disse...

Ai, credo! Espelho partido pode dar azar.

in_side disse...

multiface multilua

multifarol ]

espelho-cor-de-luz,





*

Violeta disse...

Como sempre a tua sensibilidade, embora enrolada naquilo que parece um coração em ferida, comove-me.
Bom fim de semana

innername disse...

rasgando a pele a cada mudança, tb se adaptando a todas as paredes e cores.