quinta-feira, julho 20, 2006

A tua gargalhada...




Ela ria, por vezes apenas para espantar a melancolia que se lhe colava à pele. Um dia, disseram-lhe que tinha uma gargalhada provocadora. Não, na verdade, disseram-lhe que o riso dela era um convite.
Por baixo do seu ar distante, agitou-se a certeza de que, daí para a frente, riria muito mais. O seu riso soava ao telefone, saia cristalino dos lençóis amarrotados pela doce luta do sexo, desdizia suavemente as palavras carinhosas que não continha.
Dias havia em que calava aquele som que nem ela sabia se era, realmente, sinal de alegria ou apenas uma imagem de marca. Eram dias de silêncio, em que apenas monossílabos lhe saíam dos lábios. Nem definia o que a bloqueava, apenas esperava que alguém lhe dissesse, de novo:

-Ri para mim. Gosto muito da tua gargalhada...

De riso em riso, de adeus em adeus, extinguiu-se o som de água cristalina. Saía-lhe só um som rouco, como uma troça que fazia de si própria. Pouco a pouco, a vida ensinou-lhe a sorrir, um sorriso leve e por vezes amargo, talvez não o convite de outrora, mas certamente uma ponte para a cumplicidade.





Foto by eolo perfido

12 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Aqui nesta "Vida de vidro" também há uma harmonia muito especial que aprecio.

Teresa Durães disse...

Este texto...

Conheço quem seja assim...

Gostei mais uma vez!

Louco de Lisboa disse...

O riso a maior parte das vezes é tido como desdém...

Ofereço-te um sorriso, até outro instante!

DIAFRAGMA disse...

"...mas certamente uma ponte para a cumplicidade."
Lindíssimo.

Teresa Durães disse...

(por causa de um comentário teu lá no DoLivrodasAves) e tendo um pouco a ver com o tipo de escrita deste blog: O que escrevo é a minha forma de pensar.


Nenhuma Ave ou Vida de Vidro tem de encontrar uma razão de vida. Pode procurar, o que é diferente. Pode morrer a procurar. Pode encontrar.

Cloncluis no comentário que depois as mesmas interrogações aparecem (dizendo o que acabei de dizer).

As mesmas talvez mais elaboradas ou então não aprendeu nadinha :)

Isto tudo para dizer :) que agradeço os comentários.. Gosto de reflectir, defeito ou qualidade (não interessa!)

Bj

Fortunata Godinho disse...

Adoro ouvir uma valente gargalhada.
Não há sorriso que se lhe compare.
Espero nunca deixar de rir para ter de apenas sorrir. Mas espero pelo menos sorrir sempre!

Obrigada pela visita ;)

herético disse...

vidas de vidro são delicadas...
por isso, nem sempre as gargalhadas serão convites. mas porventura disfarces...

permite que deixe um sorriso. cúmplice! rss

Teresa Durães disse...

(não há mais?????) lolololol

Paulo Sempre disse...

Vida de vidro...hóooooooooooooo!!!!!!!!!!

greentea disse...

o riso é uma terapia...

em crianças diziam-nmos para não rir assim, para não dar essas gargalhadas q chamam a atenção pela naturalidade pela força de viver

as mulheres vão deixando de rir , de sorrir e nos seus rostos vê-se apenas os traços da solidão e da amargura

que bom , se todas pudéssemos sempre

"entoar hinos de alegria nos capinzais" como diz o poeta africano

Phi@ disse...

um sorriso pela simpatica visita; uma gargalhada para animar e refrescar!! bxox

OvelhaNegra disse...

Agradeço a visita que fizeste ao meu «cantinho».
Li... reli... voltei a reler o teu texto...

Em tempos conheci alguem que ria com uma gargalhada cristalina. O riso era a sua essência, a porta da sua alma.
Hoje, não faz mais que meros sorrisos. Francos na mesma. Mas não já límpidos, puros, cristalinos.
Hoje, por vezes, até sorrir....dói.

Um sorriso franco.
Um beijo cúmplice.*