segunda-feira, junho 11, 2007

A névoa




O dia era apenas um véu que escondia a luz forte da paisagem. Nem desejava outra coisa, sentindo nos olhos o ardor de tentar ver demais. Para lá dos limites do possível. Deixou-se diluir na névoa de não saber de si própria, de ignorar o que sentia. O vento do tempo passaria, limpando o horizonte. Levaria consigo aquela fina poeira de líquidos sentimentos. Que partissem, não os entendia! Queria ver claro, mas só quando a luz não lhe ferisse os sentidos. Algo dentro de si não estava preparado para a luz forte que a verdade projecta.



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A todos os que comentam o que lêem e não fomentam guerras nos espaços dos outros, peço desculpa pela moderação nos comentários. Assim que o problema que a motivou se resolver, tudo volta ao normal.

domingo, junho 10, 2007

Desafios

A brisa de palavras passou-me a batata quente (é mesmo assim que se chama o desafio) de divulgar aqui alguns livros que tenha lido. Agradeço-lhe ter-se lembrado de mim e vamos lá ver se não queimo as mãos…

Referências:

Os livros a que volto constantemente. Aqueles onde encontro sempre algo que responde às minhas interrogações. Haverá outros, mas saliento estes:

- Fernando Pessoa, todos, tudo.
- Sophia de Mello Breyner, Obra poética
- Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser
- Antoine de Saint Exupéry, O Príncipezinho

Livros que tenho entre mãos ou li recentemente:

- Al Berto, O Medo
- Isabel Ruth, Fotopoesia
- José Saramago, As pequenas memórias
- Mia Couto, Na berma de nenhuma estrada
- Ondjaki, O assobiador
- Ondjaki, Há prendisajens com o xão

De encontros muito gratificantes aqui na net:

- Antologia Poética Amante das Leituras
- Manuel Filipe, Tempo de cinzas

E como mandam as regras passo a batata quente a três bloguistas que, tenho a certeza, terão toda a facilidade em escolher, de entre os muitos que leram.

JPD, do Mel no Frasco
Herético, do Relógio de Pêndulo
Maria Carvalhosa, do Thornlessrose

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Também a JoaoJR me desafiou para a cadeia dos memes. Agradeço-lhe muito a lembrança e remeto a minha resposta para este post.

quarta-feira, junho 06, 2007

As cores da vida




O calendário à minha frente separa os meses por cores. Janeiro é de um azul quase metálico, gelado. E as cores vão-se tornando progressivamente mais quentes, até que, atravessando os arroxeados do Outono, atinjo um outro azul mais profundo, mais aconchegante, o de Dezembro. Detenho-me em Março, o meu mês, já a sair dos azuis para o verde e Abril verde de esperança.
Junho é verde-amarelo-mostarda. Cor estranha a abrir a paleta dos meses quentes. Uma mistura de Primavera e Verão, com dias longos de claridade. Em breve o Verão se instalará e os dias passarão a laranja avermelhado. Ou mesmo vermelho. No calendário, o vermelho não existe. Politicamente (in)correcto? Fico a olhar um laranja-castanho que não me lembra muito os dias escaldantes dos últimos verões.
Caminhamos para o solstício, tendo cumprido meio ano deste calendário inventado que nos rege. O tempo é um contínuo. Ou uma sucessão de ciclos. Neles percorremos todas as cores da paleta da vida. Sem nenhum calendário previamente organizado.

sábado, junho 02, 2007

Silêncio nos degraus da escada




Nos degraus da escada que hoje não subiste
Escuto o silêncio
Traz no ventre o presságio de dias convexos
De armadas defesas contra a fúria dos ventos
Hoje estou aqui
No cimo do mirante da vida
Ouvindo só zunir sibilante o eco
Do silêncio
Abana o vento as folhas do tempo
E nem um som se ouvirá
Nem o canto do pássaro na margem do dia
Nem o grito que sobe do mar
Espero no silêncio da escada de pedra
Que o som dos teus passos o venha quebrar.


Foto by Ja Fox