
quarta-feira, março 28, 2012
Longe de todos os sonhos

terça-feira, janeiro 24, 2012
Sonho sem tempo
sábado, outubro 01, 2011
silêncio
o silêncio
um pouco de nada no dia que passa
uma aragem gelada no calor da tarde
um frio suor nas noites de insónia.
nada existe
para lá da certeza exacta da distância
que em nós interiormente se afirma
no amargo sopro do desencanto.
nem a espera
a vida não tem margem que a pare
e as horas arrastam-se e correm
num mesmo tempo simultâneo.
só a esperança
que entra pelas frestas do desejo
de viver.
foto: Dionísio Leitão
publicado em Mulher dos 50 aos 60 em Agosto 2005
sexta-feira, setembro 23, 2011
Entre o sonho e a realidade
Sentado no carro olho as luzes da cidade espalhadas pelas gotas de água que escorrem nos vidros.
Ligo o aquecimento, procuro uma estação de rádio. Música melancólica. Oceano Pacífico. Apropriado.
A noite vai ser longa e o dia foi cansativo.
"As noites longas do Oceano Pacífico".Dizem.
A música, o ruído de fundo da chuva e o cansaço levam-me para um espaço entre o sonho e a realidade.
Nele quero estar.
É nele que tu existes. Entre o sonho e a realidade.
Desde sempre foi aí que te encontrei.
Nele crescemos juntos, brincámos, nele nos amamos, nele vivemos como criaturas de luz que somos.
Sabemos que o tempo é curto. Apenas existe naqueles minutos entre a realidade e o sonho.
Sei que estás, como eu, nos outros espaços.
Mas neles não nos (re)conhecemos.
E ansiamos esse pequeno espaço de tempo em que, de facto, estamos vivos.
O tempo começa a esgotar-se. Luto contra o sono, luto contra o despertar.
Não quero a separação.
O barulho de pancadas fortes e um coro de buzinas sobressaltam-me:
Acorde, gritam-me de fora do carro, o sinal está verde, porra !
Você está a empatar o trânsito!
foto e texto de Dionísio Leitão
[adeus, meu irmão. a tua viagem na realidade terminou. resta agora a que sonhaste e em que esperamos encontrar-nos todos, um dia. ]
sábado, novembro 06, 2010
por vezes...

by Virginia Ateh
no colo da dor que se esconde
talvez apenas a urgência de fugir
para uma luz improvável
cálida alegria e íntimo fulgor
em mim a paz sem laços desfeitos
simples quietude do dia que nasce.
sábado, julho 17, 2010
Nesse dia
by silviafonsoEm que as palavras me deixaram nua
Entre farrapos de um cobertor rasgado
Que morri na tua pele
Ainda tenho nos pedaços da memória
O verso em que envolvi a negação da ausência
Apenas um início de poema esboço de palavra
Fio de água incompleto em urgência de mar.
Nesse dia chegou no vento agreste
O poder de palavras mil vezes repetidas
O sabor da terra espalhada na maré
Neles aninhei o trémulo corpo nu
E decidi não morrer na tua pele
domingo, janeiro 10, 2010
gelo
by Harrierdomingo, janeiro 03, 2010
o cinza do terceiro dia
by Ruip domingo, novembro 15, 2009
outono

by Karel Sobota
quarta-feira, outubro 28, 2009
do lento movimento das tartarugas

que não apressam as horas eternas
da cíclica rota dos ponteiros do relógio
do voo das folhas ao ritmo das estações
do tempo, do implacável tempo
de tudo te diria hoje
não fora o dia lembrar
o que em mim está perene e vivo
dádiva guardada no caminho do olhar
sexta-feira, setembro 04, 2009
Palavras de entender o mundo
by Safak Tortudomingo, agosto 02, 2009
Palavras estranhas
by Monica Iorio sábado, julho 11, 2009
estrada larga

by fresh water tank
sigamos então essa estrada plana
a casa de ontem já não tem calor de verão
corre um vento no pátio em voo de arrepio
que esfria o riso colado nas esquinas
caminhemos ainda assim
surge uma luz que tínhamos esquecido
nas margens de água em que buscamos vida
ou apenas sonho calor repouso manta
aberta cancela do jardim e estrada larga
fundo trilho destes dias
sem rótulo de partida ou de chegada
terça-feira, junho 30, 2009
domingo, junho 21, 2009
A palavra solta
Procuro
Percorro às avessas
O tempo obscuro
Envolvo o corpo
Nas pregas tecidas
De antigos minutos
Deslizo num túnel
De horas sofridas
Não paro
Recuo
Caminho na borda
Do sentir revolto
Da espiral inversa
E volto
Ao verso primeiro
À palavra solta
No espaço contido
Do eu verdadeiro.
segunda-feira, maio 25, 2009
o violoncelo

vários são os sons do primeiro dia. a água que corre. a colher que bate na chávena. um leve miar do gato. o ruído indistinto de quem ainda se entrega ao sono. vindo de muito perto, o violoncelo. gemido dolente. um apelo. um grito que sobe na escala da angústia. até à queda na nota grave. o inaudível som do violoncelo amanhece dentro de mim. no início do primeiro dia.
sábado, maio 09, 2009
depois veio a chuva

depois veio a chuva. nesse dia a ternura era palpável na humidade da brisa. vertigem diluída na hesitação do ar perdido em mornos arrepios. como em todos os dias assim, acolheu a água que lhe escorria nos braços. riu-se da leveza dos pés molhados nas sandálias. e não pensou. entregou-se ao murmúrio dos sentidos. sons. cores. aromas. a terra molhada. o chamamento. simplesmente não pensou. dissera-lhe o tempo, muitos dias antes daquele, que a razão corrompe momentos perfeitos.
quinta-feira, março 26, 2009
nem um rumor se insinua

by Marcin Klepacki
na insuportável tensão das paredes
mudas testemunhas do fio das horas
só um leve raio de sol
acaricia lento a soleira da porta
e a esperança que se espreguiça
no regaço côncavo das mãos
terça-feira, março 17, 2009
Cristal frio
by peta jonesDe implacável lucidez
No seu ventre adejam pássaros
De agoiro
Sem rótulo de bom ou mau
Só certezas de coisas por vir
Até ao dia em que se abatem
Na poeira que contemplo
Essa será a hora da limpidez
Do cristal frio de que me escondo
Com medo que me cegue
Preparo-me devagar
Para enfrentar o espelho
De alma sem maquilhagem
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Místico

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Obrigada, JPD, pelo prémio e pela presença amiga.





