domingo, julho 17, 2011

quando a noite

quando a noite alastra pelos montes
largo a alma nas fragas sobre o rio
bebo nas pedras as gotas que restam
da última tempestade

e devagar regresso aos campos rasos
onde nem o vento agita a terra
e a perene imobilidade do ar
é bálsamo inquieto

resta a dúvida do que me preenche
a noite, o rio e o cheiro da tempestade
ou a doce melancolia onde o vento se aquieta

sábado, julho 02, 2011

a sombra


vejo-me na sombra das varandas
que se esconde do sol do fim de tarde
a sombra regular na parede verde
iludindo o avançar do crepúsculo
que breve se funde no negro da noite
vejo-me no declinar das horas de luz
no lado de lá de um perverso espelho
onde olho os meandros de mim
ali na sombra sobre a parede verde.

quinta-feira, junho 30, 2011

uma cinza trémula


é só um nome
já não é vida
dor de pele rasgada
um nome absorto
esquecido pelos cantos
escuros da memória
é só um nome
mais nada
uma pequena brecha
de dor intermitente
é só um nome
mas vida não
uma cinza trémula
de chamas antigas
e agora um nome
escondido na estrada
escura linha de outros dias
um nome, mais nada...

sábado, junho 04, 2011

Reflexão com foto e bandeira


by Jacob Lopes


Dizer amor a este país
por querer.
Sem caravelas
ou talvez perseguindo-as
na dimensão do sonho.
Dar a mão, o braço, a alma
levantar o corpo do negrume
e moldar um futuro
possível.
Dizer saudade em positivo
de ideias
de ideais realizados
sonhos concretos
sonhados no dia a dia.
Pensar em mim este país
olhar de frente
a neblina de pesadelos
que disfarçamos com risos
de ecos amargos.
Evocar o sol e o vento
de vontades em comunhão
e seguir, talvez.

Dizer amor a este país
ou desistir.


[Escrevi isto em 2005. Hoje não diria nada diferente.]