quinta-feira, junho 30, 2011

uma cinza trémula


é só um nome
já não é vida
dor de pele rasgada
um nome absorto
esquecido pelos cantos
escuros da memória
é só um nome
mais nada
uma pequena brecha
de dor intermitente
é só um nome
mas vida não
uma cinza trémula
de chamas antigas
e agora um nome
escondido na estrada
escura linha de outros dias
um nome, mais nada...

sábado, junho 04, 2011

Reflexão com foto e bandeira


by Jacob Lopes


Dizer amor a este país
por querer.
Sem caravelas
ou talvez perseguindo-as
na dimensão do sonho.
Dar a mão, o braço, a alma
levantar o corpo do negrume
e moldar um futuro
possível.
Dizer saudade em positivo
de ideias
de ideais realizados
sonhos concretos
sonhados no dia a dia.
Pensar em mim este país
olhar de frente
a neblina de pesadelos
que disfarçamos com risos
de ecos amargos.
Evocar o sol e o vento
de vontades em comunhão
e seguir, talvez.

Dizer amor a este país
ou desistir.


[Escrevi isto em 2005. Hoje não diria nada diferente.]

segunda-feira, março 21, 2011

Pelo poema


by Sam Taylor

Pelo poema fui onda deslizante
folha de árvore nos braços do vento
barco à toa nas margens do rio
Pelo poema vivi sonhos improváveis
vi-me só em mil espelhos quebrados
fui idêntica a mim e inventei-me
No poema me perdi e me encontrei
e na pele das palavras me envolvi
cobrindo a nudez que queria expor
ilusão de sentidos meros enganos
sobre as almas que de mim nasceram
nas eternas asas etéreas do poema.



[Hoje, Dia Mundial da Poesia]

terça-feira, março 08, 2011

O que são as mulheres?

Porque é Dia Internacional da Mulher e um amigo me enviou este presente, partilho-o com todas e todos, numa homenagem às mulheres e aos homens que sabem o que elas são.









"Não tenho filhos homens, mas se os tivesse, e um deles me perguntasse,
perante as coisas da vida, o que é uma mulher, dir-lhe-ia,
mesmo sabendo que não sei coisa nenhuma, que as mulheres:


São seres feitos de estrelas, de vento, de sol e lua,
moldados por tempestades e pelo sopro divino.

São anjos que nos protegem e demónios que nos tentam,
deixando-nos dominados se as provocamos sem querer.

São o corpo que tomamos quando elas querem assim e
a alma que não logramos aprisionar mesmo querendo.
São as mãos que acarinham e nos deixam sem acção,
ou se a acção nos consentem nos deixam enlouquecidos.

São nosso porto de abrigo onde as amarras nos prendem
depois de termos passado pelo bramido do mar.
São o repouso que queremos depois das guerras que vamos
provocando sem razão.

São guardiãs do passado, as obreiras do presente, as sibilas do futuro
já que tudo lhes pertence, mesmo que a gente não queira.
São o melhor de nós mesmos, mesmo que a gente não saiba
ou não queira admitir.

São as mães que nos geraram e nos protegem e amam
mesmo quando a gente estraga o amor que nos dedicam.
São as mães dos nossos filhos, filhas, irmãs e amigas.
São as nossas companheiras nos caminhos que trilhamos
de que sentimos a falta se abalam do nosso lado
e nos deixam sem a força que sustenta os nossos sonhos.

As mulheres são afinal a outra face de nós
completando o padrão criado pela natureza.

Podem ser tudo o que queres, o que sonhas e desejas,
um bocadinho de inferno ou um pedaço de céu.
Podem ser tudo na vida ou não ser coisa nenhuma,
como tu ou como eu."


Luis Filipe Duarte