domingo, janeiro 30, 2011

Nevoeiro

Do dia em que o nevoeiro caiu sobre aquela terra, nada constava nos anais da história nem na memória dos homens. Se uns diziam que tinha acontecido de repente, outros garantiam ser um acontecimento previsível. É sabido que quando o nevoeiro cobre o caminho dos homens, cada um vê coisas diferentes. Uns tacteavam a escuridão, num caminhar penoso sem qualquer rumo. Outros sonhavam melancolicamente e imaginavam estranhas formas feitas de bruma. Todos sabiam que havia quem quisesse cortar o nevoeiro à procura do sol. As crianças escutavam lendas sobre esse disco dourado e quente e campos cobertos de flores vermelhas. Os mais velhos falavam de alegria e felicidade, palavras antigas que os dicionários tinham esquecido. Na sombra das histórias contadas à noite, quando o nevoeiro se tornava mais insuportável, germinava pouco a pouco uma outra palavra já há muito esquecida: esperança. Também sabia a geração mais antiga que, quando a esperança se impõe no coração dos homens, é difícil impedir que eles lutem para a concretizar. Foi assim, de história em história, de lenda em lenda, que alguns iniciaram a caminhada para procurar o sol. Nos olhos dos outros, dos que não se aventuraram, ficou a espera. Os forasteiros que por ali passavam diziam que aquele era um povo parado numa esquina do tempo, vivendo o dia a dia sem ânimo, esperando, esperando... aquilo que ninguém sabia exactamente definir.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Apesar de tudo

Apesar de tudo... Da crise, do desânimo, das perspectivas que parecem piorar dia a dia, da pobreza que alastra... Apesar de tudo ou porque é mais necessário agora, desejo a quem aqui passar um 2011 de esperança. Vamos iniciá-lo de cabeça levantada. Olhando bem em frente para um futuro que desejamos melhor, embora conscientes do longo caminho para lá chegar.

Bom Ano para todos!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Katie Melua - Have Yourself a Merry Little Christmas



Bom Natal a todos os que por aqui passarem!

terça-feira, dezembro 07, 2010

espelho


quem me olha no espelho
tem na sombra velada do sorriso
o disfarce inábil de marcas antigas
o olhar em que o brilho se esconde
renega a identidade equívoca do rosto
a imagem muda nas margens do tempo
outros espelhos mentem de outra forma
com a convicção dos amantes infiéis