domingo, janeiro 10, 2010

gelo

by Harrier

gelada a extremidade dos dedos que não traça caminhos de fogo nem cria o desenho poético da palavra. cada gota de água penetra a terra, funde-se na lama dos sentidos. sem mais redenção o poema prende-se em estalactites de frio, pérola imóvel e sólida que nenhum rio acolherá. assim, como ninfa em casulo, o corpo é sangue e os dedos músculos que se alongam na procura do degelo.

domingo, janeiro 03, 2010

o cinza do terceiro dia

by Ruip
os vidros turvam-se quase líquidos sem cor outra que o cinza. a chuva ensopa os restos que jazem nas ruas indícios de festas que já foram. espalha pela cidade o cheiro ambíguo da purificação. limpos de ilusões entramos no terceiro dia do novo ciclo cientes da semelhança do cinza com o que já conhecemos. afirma-se em nós a eterna interrogação da origem colorida da esperança.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Tchin-tchin!

É bom de ver que nisto de champanhe ou, a bem dizer, espumante, e dos votos que com ele se fazem, “albarda-se” a bebida ao jeito de quem bebe. É por isso que, à meia noite do último dia do ano, terei na mão uma taça (qual “flute” qual quê…) de Murganheira (passe a publicidade) meio seco, já que os meus votos são bem nacionais e oscilam entre a doçura e o sabor seco das incertezas de todos os dias de amanhã. Talvez esse seja o líquido com o sabor dos dias que aí vêm e, dos quais, sabemos só que é improvável que sejam muito melhores que os que passaram. Mas, quando o fio de doçura se sente nos lábios, acolhemos em nós o círculo dos afectos, aqueles a quem desejamos um 2010 melhor que qualquer outro ano. E, como de costume, brindaremos com a esperança renovada dentro de nós porque, já lá diz Drummond de Andrade

“É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre”



A todos os que aqui continuam a passar, um óptimo 2010! Tchin-tchin!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal

Ah, o Natal! Aquele tempo de luzes e brilhos, de calor dentro das casas, de famílias reunidas. A noite do amor universal. Da fartura sobre as mesas, de prendas oferecidas com amor. Ah, esse Natal idílico, sonhado... E o Natal dos crentes. Do menino que veio para nos salvar. Que nasceu na pobreza, sem maiores luzes que a tal estrela que dizem ter aparecido, sem maior calor que o de uma vaca e de um burro. Sim, depois aparecem os reis magos e as coisas começam a brilhar… Ah, o Natal dos que perdemos e que naquela noite estavam tão próximos! Dos que estão sós, tão sós que nem se querem lembrar que é Natal. Dos que têm fome e frio e nem um abrigo. Dos que morrem nessa noite, nesse dia, e todas as noites e todos os dias nas guerras deste mundo. Ah, o Natal de todos nós!

Feliz Natal para todos os que por aqui passam!