sexta-feira, setembro 04, 2009

Palavras de entender o mundo

by Safak Tortu


Nas manhãs deste tempo, deixo entrar a brisa que faz cantar as árvores. Acordo sonhos adormecidos à míngua de estrelas. Longínquo há um vago som de água. Falarão outra vez as fontes que quebravam o morno dos dias? Para captar o murmúrio, calo o pensamento e deixo os sentidos vaguearem ao encontro das palavras de entender o mundo. Só de olhos fechados sinto o sabor de as misturar lentamente como se pintasse uma tela de um branco suplicante. Espalho a cor das palavras, devagar, devagar…

segunda-feira, agosto 10, 2009

era eu?


se o sol entrar pela vida sem pedir licença, como falarei sem estilhaçar o frágil cristal da memória? por vezes digo “lembras-te”, só porque queria que te lembrasses. sei que se vão apagando os pormenores, os locais já são só aguarelas sem forma. na verdade, as cores escorrem na tela deixando um borrão indecifrável. era eu ou outra de mim? tantas, tantas foram… tantas sou! ainda que não as reconheças. tento não destruir o que ficou gravado nas paredes transparentes que ecoam dentro de mim, sem (me) te ferir. mas ainda não estão maduros os sons simples da verdade. a urgência reside apenas na dúvida da estação certa.

domingo, agosto 02, 2009

Palavras estranhas

by Monica Iorio

As palavras custam-me. Empastam-se, enrolam-se nos dedos. Não digo que se prendem na boca. Nunca tentei dizê-las. Param no caminho entre a mente e as mãos que escrevem. O pensamento é demasiado complexo. Existe um poema incompleto que não se sabe dizer. De contradição em contradição procuro a unidade. A impossível unidade. E as palavras doem-me, fogem para alguma parte de mim que não alcanço. Estranhas como sons vazios de sentido. Falas de alguma personagem que inventei mas não conheço.


[De volta, lentamente e procurando as palavras...]

sábado, julho 11, 2009

estrada larga


by fresh water tank

sigamos então essa estrada plana
a casa de ontem já não tem calor de verão
corre um vento no pátio em voo de arrepio
que esfria o riso colado nas esquinas
caminhemos ainda assim
surge uma luz que tínhamos esquecido
nas margens de água em que buscamos vida
ou apenas sonho calor repouso manta
aberta cancela do jardim e estrada larga
fundo trilho destes dias
sem rótulo de partida ou de chegada


[Boas férias a quem passa. Perdoem a falta de assiduidade. Volto lá para Agosto]