Por vezes sou a pedra virada para o mar. Imóvel, numa espera ardente. Outras, sou ar, a vibração inquieta, sem sossego. Numa constante procura de correntes favoráveis. Vento, quando chega o tempo da borrasca.
Sei os mundos secretos, paralelos que separam a pedra do ar solto que a rodeia. E tantas vezes os aproximam, como se o sólido e o etéreo fossem um só corpo. Uma só palavra. A que digo para ser ouvida. A que procura entendimento. A que, na imensidão da água ou na inquietação do vento, se perde, sem que dela reste o eco. Ou sequer o indefinível aroma chegue ao alvo desejado. E então sou só pedra. Que o ar escoa-se em caminhos cada vez mais estreitos.

Obrigada, Laura






