quinta-feira, junho 04, 2009

o amor




ah amor… já lá dizia a minha avó… bom esqueçamos o que dizia a minha avó que não fica bem aqui num blog tão bem comportadinho mas lá que me apetecia ir buscar os ditados da família toda apetecia-me e tudo isto porque a palavra amor tem muitas interpretações é o que todos dizem ele é o amor universal o amor maternal o amor filial… e eu só tenho que acreditar embora me pareça que esse é o amor em inglês love que serve para tudo em português amor é mais o que a minha avó dizia mas passemos à frente agora arranjar uma foto para este tema tão lato já é um bocadinho demais até porque não tenho fotos correspondentes à definição da minha avó assim não sei porquê apeteceu-me pensar que amor é um cadeado com um coração inscrito ao abandono numa ponte solitária uma coisa assim parva que me deu…


[No PPP a palavra desta semana é amor. A definição da minha avó, só a digo em privado. A foto foi tirada em Praga.]

sexta-feira, maio 29, 2009

como crianças



vivíamos como se fossemos imortais. talvez. algo de nós, pelo menos, seria imortal. pensávamos assim, como crianças que não acreditam que o que amam pode morrer. para sempre, pensam. as crianças também perdem a inocência e a realidade impõe-se-lhes. um dia. um dia qualquer daqueles em que ainda pensam que… pensam, pois. como nós pensávamos. continuamos a pensar tanta coisa… mas o que pode comparar-se a ser imortal? a ser para sempre, como seres que escapam às leis dos homens. ou dos deuses? bah… que se lixem os deuses. não me dizem mais do que o que sei. que é limitado, concerteza. os deuses mandam-me conformar à finitude. a não aspirar nada para sempre. mas eu sei. para sempre é só enquanto um pedaço de nós ainda se assemelhar às crianças. enquanto acreditarmos que o que amamos não morre.

segunda-feira, maio 25, 2009

o violoncelo



by Rainer Pawellek

vários são os sons do primeiro dia. a água que corre. a colher que bate na chávena. um leve miar do gato. o ruído indistinto de quem ainda se entrega ao sono. vindo de muito perto, o violoncelo. gemido dolente. um apelo. um grito que sobe na escala da angústia. até à queda na nota grave. o inaudível som do violoncelo amanhece dentro de mim. no início do primeiro dia.

sábado, maio 16, 2009

Escarpa


Ergue-se a escarpa no caminho da vida
sem retorno
sem escada
ou vereda que a aplane.
Só pela escalada no ar cristalino
se alcança a visão de novos caminhos
no horizonte escondido.


[O meu tempo para partilhar com todos vós é cada vez mais curto. Socorro-me de palavras antigas. Que todos façam bem a escalada das suas escarpas!]