segunda-feira, maio 04, 2009

Doce Maio




Doce Maio de dias iluminados. Mês suave no nome que canta na língua, nas carícias do sol que desperta a pele ao toque. Maio é a afirmação de uma promessa que por vezes cintila em Abril. Maio quer-se feminino, fértil, grávido de esperança. Talvez não este Maio que, indiferente aos tropeços do mundo, se dá em flores, como sempre. Afirmação de que a vida aí está, apesar de… Então que floresça Maio, que cresça em plenitude. E que a vida se afirme em explosão, apesar de…

quarta-feira, abril 29, 2009

Estamos mesmo a precisar...



Estou cansada, mesmo. Do trabalho, da politiquice (nem é política, na verdade), da crise, da gripe. Então deixem que vos ofereça algo que se passou na linda Centraal Station de Antuérpia, mas que gostava de ver em espaços públicos de Portugal. Tragam a alegria e a esperança para a rua... estamos todos a precisar!

quinta-feira, abril 23, 2009

Densidade




Falemos então de densidade. Segundo o dicionário:

1. Qualidade de denso; espessura.
2. Relação entre a massa ou o peso de um corpo com o seu volume ou com a massa ou peso de outro corpo do mesmo volume.
3. Fotogr. Grau de opacidade de uma imagem em papel ou filme.


Talvez fossem demasiado densas, a ansiedade inicial e a alegria que se seguiu. Talvez nada pudesse medir a espessura daquele vermelho infinito. Vermelho de esperança, de afirmação, de certezas improváveis.
Talvez os corpos se sentissem leves, como se a densidade tivesse baixado subitamente. E pudessem dançar, soltar-se de amarras longas…
Talvez até o grau de opacidade das imagens que restaram só realçasse os cravos na manhã de cinza.

Talvez… tudo isto aconteceu há muito tempo e hoje tenho a sensação duma explosão, intensa, densa… e breve.


[ A palavra do PPP era “densidade”. E a minha foto seria esta, qualquer que fosse a palavra. Porque, a este Abril longínquo, todas as palavras se aplicam. ]

sábado, abril 18, 2009

naquele dia



talvez o mundo tivesse caído naquele dia. o seu mundo, pelo menos - não brinques, Filomena, não rias - e porque riria? não havia pessoas eternas, afinal. não, não havia, porque a avó (já bis, já avó do pai) estava lá dentro tapada com o lençol - Filomena, fica no quarto! - mas tinha que espreitar. porque não se mexia? não falava? nem os olhos se prendiam nos dela. húmidos de ternura - não chores minha menina. minha menina - e agora ia ser a menina de quem? tinham pressa que crescesse. dez anos, perdidos entre adultos - Filomena, estás a sonhar? - estava. tanta vez. agora os sonhos esbarravam naquilo. no que julgava não poder acontecer - ai, esta rapariga no que andará a pensar? - em nada, mãe. em nada, pai. só os porquês. os porquês que seguiriam com ela toda a vida. não havia pessoas eternas. também eles. um dia. pai, mãe. e o frio, o susto, a angústia. talvez sim. talvez o mundo tivesse desabado naquele dia.