
A infinitude do silêncio colava-se-lhe ao corpo. Caminhava lento, passando as mãos nas formas que o sincelo conseguia urdir nas árvores. A casa era mais um eremitério onde a única preciosidade vinha da luz que entrava a qualquer hora. Havia nele uma aura de misticismo que, no princípio, os outros veneravam. Tocavam-lhe como se lhes pudesse dar o pão da vida. Ou como se dele jorrasse unguento para as dores da alma. Comprovado que não fazia milagres, passaram a olhá-lo com comiseração. Por fim, devia ofendê-los pela diferença, tal a aleivosia com que, em cada dia, o humilhavam. Quando partiu, as árvores choraram, em cada jóia de gelo derretida.
[Brincando com as palavras. Texto do 8º Jogo das 12 palavras]
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Obrigada, JPD, pelo prémio e pela presença amiga.
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