sábado, fevereiro 07, 2009

o que devia estar perto



traz o ar um prenúncio
ou talvez um sussurro
pronunciado
pressentido
vem no vento a incerteza
do que devia estar perto
aberto
cavalga a pura brisa
um áspero sopro de secura
as ondas que me atingem o peito
convocam lembranças revoltas
nas mãos tenho só a brancura do sal
líquido sabor que as molha gota a gota



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Obrigada, Maria Dias. Este prémio é para todos os que aqui passam.


quarta-feira, fevereiro 04, 2009

vento



o vento não leva consigo o silêncio
só amplia o grito que nele existe
no verde inquieto da copa das árvores

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Particularidades

Fui desafiada pelo Herético a expor aqui, em público, algumas das minhas particularidades. Isto não é fácil, acreditem. Porque não tenho grandes particularidades confessáveis. Mas há sempre pequenas coisas que nos revelam. Ora aí vai:


1 – Sou uma confessa adepta do Benfica. Já fui fanática, agora sou só… sofredora. Mas afinal não somos 6 milhões :)?
2 – Gosto de gatos, de gatos e de gatos… Não tenho nada contra os cães, mas cá em casa vivem dois gatos. Pronto, são manias.
3 – Não sou capaz de ler um romance sem ir ver o fim. Estraga o prazer da leitura? Agora cá… aguça a vontade de perceber como se chega lá.
4 – Adoro fotografar e detesto que me fotografem. A falar verdade, as fotos minhas de que gosto foram tiradas por mim. Coisas…
5 – Gosto da chuva de Verão que limpa e refresca. Ou das grandes chuvadas a que se segue o sol. Detesto a chuva miúda e insistente, assim como a que tem caído nestes últimos tempos. Espero que passe depressa.
6 – Gosto de viajar e, cliché dos clichés, Paris é a minha cidade do coração. Vou procurando outras que talvez a igualem. Mas a viagem que mais me encheu de beleza os olhos e a alma foi, mesmo, aos Açores. Uma paixão.


Bom, não doeu. Vai ser mais difícil passar o desafio a seis pessoas de entre os que aqui passam. Acreditem que não é por mal, bem pelo contrário. Gostava de saber particularidades de:










sábado, janeiro 31, 2009

hibernação



nada rompe o silêncio que tomou conta dos dias
nem o sono implícito das árvores
os que hibernam mantêm a dormência
que nenhum grito consegue quebrar

alguns estão atentos aos sinais mais ténues
seguram nas mãos a leve chama verde
trémulo calor de esperança
que aquece as palavras do poema.