sábado, janeiro 31, 2009

hibernação



nada rompe o silêncio que tomou conta dos dias
nem o sono implícito das árvores
os que hibernam mantêm a dormência
que nenhum grito consegue quebrar

alguns estão atentos aos sinais mais ténues
seguram nas mãos a leve chama verde
trémulo calor de esperança
que aquece as palavras do poema.

terça-feira, janeiro 27, 2009

tempo de inverno




by darkshape


são curtos dias de alongar gelos
que a manhã desperta
vento que solta estranho silvo
de dor desfeita em água fria
abrem-se as mãos ao sol do dia
para logo a vida se aninhar
na quente gruta da espera

no canto cinza do amanhecer
soa a melancolia da terra dormente
deitada em silêncio
sabendo o segredo que o ventre carrega
onde o frio não chega
esperança calada da semente
doçura verde do renascer
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[Obrigada, Sereia Azul. Deixo este prémio para todos os românticos que sobrevivem ao romantismo. :)]

sexta-feira, janeiro 23, 2009

dou-te as mãos



by FrancoisR

dou-te as mãos
pontes de água deslizante
elos de leve firmeza
solta vereda de abraços

dou-te as mãos
e por caminhos errantes
dou-te laços

terça-feira, janeiro 20, 2009

Chuva inquietante



by yein

Diluo-me na chuva inquietante. Escorro melancolia nas gotas de água. Embebo-me na terra molhada, nas goteiras das árvores. Embrulho-me no manto frágil do ar molhado. No frio húmido que me penetra. Fundo, como uma união urgente. Enrolo-me sobre mim mesma. Casulo expectante de alguma borboleta de mil cores. Em voo livre…