sábado, janeiro 17, 2009

Golpe



by mecanna

Pus um pé
Na margem afiada da vida
E olhei o fio vermelho que escorria
Como se não fosse meu
Há golpes que a razão estanca
E qualquer brisa sem rumo reabre.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Obrigada!

Ainda há quem me consiga surpreender. No bom sentido, diga-se, quando as surpresas vêm de pessoas que muito consideramos mas que os caminhos da net não trazem muito próximas. A minha amiga mcorreia ou maria de fátima achou por bem atribuir-me um desses prémios da blogoesfera que, sobretudo por vir dela, me sensibiliza muito. Obrigada, mulher, já viste o longo caminho que percorremos por aqui?


Então mostremos o selo
e enunciemos as regras:

- copiar o prémio e colar no seu blog
- fazer referência ao meu nome e colocar o endereço do meu blog
- presentear seis Mulheres cujos blogs sejam uma inspiração para si
- deixar um comentário nesses blogs para que saibam que ganharam o prémio

Pasmem, homens que aqui vêm: o prémio é só para MULHERES!!

E o prémio que gostaria de dar a todas(os), vai para:

1 - Justine do Quarteto de Alexandria ( a dividir com o Mounty, apesar de ser macho...)
2 - hfm do Linha de Cabotagem III
3 - M. do Reflexões Caseiras
4 - bettips do bettips
5 - Clarinda Galante do Sombras de Mim
6 - CNS do Deserto do Mundo

A todas, um beijo e obrigada por estarem presentes.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Céu de geadas



by avela

São cinco da tarde e vejo a lua
o céu frio desmente a luz do sol.
Será só uma miragem dos sentidos
esta lua que vejo em pleno dia?

Talvez paire nesta lua vespertina
a esperança pura dum céu de geadas
breve prenúncio de eternas madrugadas.

sábado, janeiro 10, 2009

As meninas da quinta





Nalguns dias faltava à escola. Sem grande sorte porque aquilo de viver numa aldeia tinha os seus custos. Quando Marília e ela faltavam, a professora corria para o único telefone da escola e perguntava se havia algum problema na quinta. Ambas tinham como certos, o castigo em casa e as reguadas no outro dia, que a D. Maria de Fátima não era boa de assoar. Ainda assim, ambas achavam que valia a pena a liberdade daquelas correrias pelos campos e o lanche simples de leite acabado de mungir e pão com marmelada que lhes davam na casa do António, onde, sabia lá ela porquê, acabavam sempre por ir parar. António era pouco mais velho que elas, mas já trabalhava no campo, abandonada que fora a escola, por razões que aos pais pareciam maiores. Muita pobreza havia por aquelas terras, lado a lado com a riqueza dos donos das vinhas a perder de vista. Eram outros tempos. Seriam? Voltando às “meninas da quinta”, Marília era mais novinha e em tudo via motivo de risos. Brincar com os animais à volta da casa ou à “apanhada” com as irmãs de António (família grande, que era assim que Deus queria) fazia a sua felicidade. Filomena, já mais crescidinha, falava com a senhora Rosalina, sem tirar os olhos do portão. Quando o coração disparasse acelerado, era sinal que António voltava. Sorria-lhe e ajudava-o a arrumar as alfaias, feliz só por estar perto. Mais tarde Filomena saberia dar nome àquela doçura inquieta que a invadia, junto de António. Mas já estaria tão longe que dele só lhe restaria a recordação de uns olhos muito azuis. Naquele tempo, o melhor do dia, o que verdadeiramente a fazia esquecer os castigos e as reguadas que a esperavam, era quando a senhora Rosalina dizia: “António, já se faz tarde, vai levar as meninas à quinta, não se vão perder por esses campos”. Longe da casa, António dava-lhe a mão – és tão desastrada que ainda cais – e assim iam, muito devagar porque as pernas de Marília talvez não os conseguissem acompanhar…