segunda-feira, novembro 12, 2007

Vou

Dei por mim hoje andando de pés nus sobre vidros quebrados. Não senti dor. Nem vi o vermelho do sangue. Dizem que isso é mau. Eu acho que é auto anestesia. A escrita só pode ter sentido quando se sente o bom e o mau da vida. Que se balançam, se completam. Por isso, vou partir até encontrar o equilíbrio. Até sentir a dor dos vidros quebrados e o gosto do calor do sol nos pés nus. Não sei onde, não sei quando. Não sei.



[Deixo um beijo a todos os que foram o suporte afectivo e crítico deste blogue]

quinta-feira, novembro 08, 2007

Um porquê



Há um novo porquê suspenso no tecto
cada vez que o olho
quero dizer que esses são os dias bons
aqueles em que as perguntas se renovam
sem resposta necessária
ou suficiente. Sei lá das suficiências
ou necessidades.
Sei dos dias cheios de porquês
que se balançam como se quisessem
gerar ideias.
É talvez por isso que existe o tecto
não para me tapar as dúvidas.
Lá fora o dia juntou todas as cores
branco límpido.
Se perguntasse para onde foi o azul
ou o dourado
estaria a inventar mais um porquê
e não posso.
A regra manda que se suspendam do tecto
para que os dias possam ser brancos
e não haver dúvidas.

segunda-feira, novembro 05, 2007

intensidade




… depois aconteciam aqueles dias em que não sabia se queria voltar. recomeçar era-lhe penoso. pegar nas pontas que tinham ficado soltas e tentar atá-las. estava a faltar-lhe o que sempre lhe fora essencial. intensidade. de dar-se aos outros. de fazer o que havia que ser feito. repetia gestos maquinalmente com enfado. percorria o labirinto dos dias, os medos escondidos em pequenos recantos. nem os medos quebravam o tédio. só uma vontade a percorria: ir-se embora. para onde pudesse sentir da única forma que aspirava. intensamente.

terça-feira, outubro 30, 2007

Folhas douradas




Não há dourado
Como o das folhas secas
Na margem da vida
Sol já vivido de dias inteiros
Futuro de alegrias verdes
Doces de mel nas mãos do passado.
Belos são os tons das tardes que tombam
Cedo
Sobre um mar de azul saturado
Onde as sombras marcam as rugas das ondas.
Vejo olhos brilhantes na espuma que bate
Em rochas de outrora
Como os sonhos que lentamente
Se espreguiçam na doçura do poente
Sabendo que em breve partirão
Levando-nos com eles nos barcos inventados
De onde não há regresso.
As tardes são cada vez mais curtas
E os caminhos feitos para os nossos pés
Têm longos tapetes de folhas de Outono
Douradas.


[Volto para a semana. A quem puder, desejo umas boas mini-férias.]