domingo, outubro 28, 2007

Hoje




Hoje queria um dia feito de horas de oferecer. Porque há dias diferentes. Dias especiais em que queremos encomendar o sol, a luz do horizonte, a doçura do ar. Tudo feito por medida, ao jeito de quem o irá desfrutar. Queria oferecer um dia hoje. Um dia perfeito. Embrulhado em momentos guardados. Talvez com uma fita cor de certeza calma, e um laço pleno de voltas cúmplices. Só um dia. Dado assim, porque hoje é dia de dar só um pouquinho mais.

quinta-feira, outubro 25, 2007

o vazio




da dádiva de mim trago
a certeza funda e calma
digo-te
só o amor preenche
o lugar vazio da alma.

Setembro 2005



o vazio. como um buraco no peito. um bocado que de lá foi tirado. não dói. é a um tempo suave e amargo. mas não dói. infiltra-se em nós e fica no ar. como algo que devia estar e não está. arrepia-se a pele ao de leve. encolhemo-nos um pouco para guardar o calor de um qualquer momento que em nós ficou. lentamente, o vazio vai sendo preenchido pela rotina das horas. o frio desaparece e deixamos que o conforto nos envolva. até que, vindos do nada, surgem aqueles momentos em que o vazio fala outra vez. baixo. murmura. queremos enxotá-lo como uma mosca incómoda. deixa-se ir. como tudo o que tem a certeza de voltar. quando menos esperamos.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Outro poema de Outono




um dia vem o outono falsamente sedutor
embala-nos em tons de terra mãe
em luzes veladas que não ferem
os olhos já cansados do Verão
a ele nos entregamos sem pudor
esperando renovar tranquilo da alma
pelo bálsamo das águas que caem

um dia vem o outono
em ramos de árvores penduramos sonhos
a letargia dos dias cerra-nos os olhos
talvez não acabe
podem não vir tempestades
será para sempre a luz dourada…

um dia parte o outono
sem que um aviso toque o sono terno
e temos a surpresa de acordar
na plena inclemência do Inverno

quarta-feira, outubro 17, 2007

Tanto...




Tanto. Ou tão pouco. Não se quantifica. Qualifica. Ou nomeia. Por aqui caminhamos. Sem conhecer o caminho. Talvez à deriva. Talvez bem presos ao chão. Lavamo-nos no rio de que não sabemos o caudal. Colhemos os frutos das árvores sem nome. E sentimos que é tanto… Ou tão pouco.