quarta-feira, outubro 17, 2007

Tanto...




Tanto. Ou tão pouco. Não se quantifica. Qualifica. Ou nomeia. Por aqui caminhamos. Sem conhecer o caminho. Talvez à deriva. Talvez bem presos ao chão. Lavamo-nos no rio de que não sabemos o caudal. Colhemos os frutos das árvores sem nome. E sentimos que é tanto… Ou tão pouco.

domingo, outubro 14, 2007

Incerteza




Entre o dito
e o que falta
há o espaço
da incerteza.
O caminho
inseguro
interdito
o meu trilho
de tristeza.
Passos dados
pela margem
desse leito
de ternura
onde me deito.
E o que falta
no já dito
é o caudal
que corre frio
no meu peito.

Escrito em Dezembro 2005. Mas curiosamente actual.

quarta-feira, outubro 10, 2007

A hora da água




A minha hora é a da água. Líquida, solta em pequenos regatos ou caudalosos leitos. Por nascimento. Sou água de Março (saúdo-te Elis!). Respiro na hora do ar, aquela em que tudo se revela límpido e claro. Ardo nas horas de fogo em que em que a paixão se revela essencial à vida. E misturo-me com a terra quando é tempo de procurar a força que nela se contém. Mas vivo nos líquidos sentimentos que molham corpo e alma. Na fúria de escavar o caminho ou na doce calmaria dos territórios a que chamo meus. E procuro o azul infinito. O do mar. Definitivo. Vivo na hora da água.

domingo, outubro 07, 2007

Entre a alma e o corpo




Fecho a janela do pátio inventado
Preciso ficar no escuro agora
Por entre as coisas que guardam o silêncio
Ásperas ao tacto
Nos dedos só resta a memória
Do que ainda viaja entre a alma e o corpo
Habituo os olhos à ausência de miragens
Para me iluminar de realidade
Assim será o recuar da escuridão
Sem arco-íris
Luz velada de dias quietos