segunda-feira, setembro 17, 2007

(Re)escrever caminhos




Regresso. Como um artista que acaba sempre por regressar ao palco, mesmo que tenha de trabalhar sem rede. Tenho só uma certeza. Não vou escrever a página em branco. As palavras não vão refazer o poema deixado por adivinhar. Neste momento, espero que as palavras me ajudem e escrevam o meu caminho. Deveria ser possível. Deixar as palavras juntarem-se na criação de um caminho futuro. Usar a escrita para o ir percorrendo, passo a passo… Fantasias. A verdade é que quem ama a escrita, acaba por voltar. Como o artista. Neste palco ou em qualquer outro, tentarei (re)escrever caminhos. Sem poemas, por agora.




Foto: Antuérpia, junto da Vleeshuis

terça-feira, agosto 28, 2007

página em branco

esta página fica em branco. porque quero. ou porque é preciso. branco de não haver futuro. de não saber se há. nem negro de trevas. nem cinza de indefinição. margens brancas de tempo esquecido. linhas brancas de palavras apagadas. sigo em frente. sem tempo de voltar. um dia talvez seja possível. escrever nas linhas brancas, digo. se as letras se juntarem. se encontrarem o seu caminho para refazer o poema.


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Faço aqui um intervalo. Sem prazo para voltar. Talvez as letras encontrem o caminho... Obrigada a todos os que por cá passam.

sábado, agosto 25, 2007

Como uma ilha...




Banhas-me assim
Em ondas de amor morno
Passadas que são as marés vivas
E as tempestades da paixão
Um dia dirás de mim ter sido ilha
Fechada entre as brumas e o mar
Guardando segredos quietos
Caladas crateras de alma
Que só conseguiste espreitar
Porque as ilhas vivem dentro delas
E ao mar entregam toda a solidão
Banham-se nas ondas de amor terno
Morno
Na praia esperam a volta da maré.


Foto: S. Miguel, Açores, miradouro de Sta Iria

quarta-feira, agosto 22, 2007

The dark side of the moon




Certo. Todas as coisas têm dois lados. Ou vários. Desde os objectos às pessoas. Seria monótono, dizem. Lados iguais. Ou somente coerentes. Apagaria as boas e as más surpresas. Vejam a lua. Tão bela no seu lado visível. A magia do luar. Poética. Não pensamos no lado oculto. Uma surpresa. Ganham-se as diferenças num jogo de luz e sombra. E as angústias de espreitar o lado negro. Diz-me. Vê-se novamente o luar? Depois de ter ido até ao dark side?




Foto by Nuno Milheiro