sábado, agosto 25, 2007

Como uma ilha...




Banhas-me assim
Em ondas de amor morno
Passadas que são as marés vivas
E as tempestades da paixão
Um dia dirás de mim ter sido ilha
Fechada entre as brumas e o mar
Guardando segredos quietos
Caladas crateras de alma
Que só conseguiste espreitar
Porque as ilhas vivem dentro delas
E ao mar entregam toda a solidão
Banham-se nas ondas de amor terno
Morno
Na praia esperam a volta da maré.


Foto: S. Miguel, Açores, miradouro de Sta Iria

quarta-feira, agosto 22, 2007

The dark side of the moon




Certo. Todas as coisas têm dois lados. Ou vários. Desde os objectos às pessoas. Seria monótono, dizem. Lados iguais. Ou somente coerentes. Apagaria as boas e as más surpresas. Vejam a lua. Tão bela no seu lado visível. A magia do luar. Poética. Não pensamos no lado oculto. Uma surpresa. Ganham-se as diferenças num jogo de luz e sombra. E as angústias de espreitar o lado negro. Diz-me. Vê-se novamente o luar? Depois de ter ido até ao dark side?




Foto by Nuno Milheiro

sábado, agosto 18, 2007

Compasso de espera




Passam no espaço
os passos de alguém
que não deixam traço
da espera sem fim.
Compasso de espera
sem espaço em mim.
E quando os passos
não forem quimera
será que os seus ecos
dão sentido à espera?

Março 2005

quarta-feira, agosto 15, 2007

Palavras presas




As palavras presas. Nem um som as articula. Conversas cruzadas iguais. Cansaço das tardes. Sobretudo das tardes. E tudo o que já não será dito. O tempo que foge. As horas que se arrastam. Os corredores vazios. A inquietação. Nenhum dia se repete. Nenhuma palavra será recuperada. Liberta. Outras serão ditas. Diferentes. Nenhuma palavra é igual. Cada uma se perde com o olhar que a diria.