
não sou o meu sonho. verde azul. da cor dos olhos dos pastores que tocam flauta. e das princesas que choram. não entram na minha história reis tiranos. nem belas encostas de prados verdes. ou vales profundos onde as lágrimas caem. na terra que piso não brotam flores azuis rosa brancas. nem a água ferve. no desvendar de mistérios inquietantes. e as gentes não se sentam a olhar o mar. durante horas. como se lhes escutasse os segredos. sou de terras castanho verde prosaico. de uma paleta limitada. onde as lendas são de castelos e mouros. e heróis da cristandade. terras de gente de outras cores. olhei o meu sonho. nos olhos tinha água verde azul. encontrei a inquietação da beleza perfeita. a angústia de não poder lançar o voo sobre a paisagem. a impossibilidade de a guardar. em mim. verde azul.
Foto: S. Miguel, Açores, Lagoa das Sete Cidades






