quarta-feira, agosto 08, 2007

Verde azul




não sou o meu sonho. verde azul. da cor dos olhos dos pastores que tocam flauta. e das princesas que choram. não entram na minha história reis tiranos. nem belas encostas de prados verdes. ou vales profundos onde as lágrimas caem. na terra que piso não brotam flores azuis rosa brancas. nem a água ferve. no desvendar de mistérios inquietantes. e as gentes não se sentam a olhar o mar. durante horas. como se lhes escutasse os segredos. sou de terras castanho verde prosaico. de uma paleta limitada. onde as lendas são de castelos e mouros. e heróis da cristandade. terras de gente de outras cores. olhei o meu sonho. nos olhos tinha água verde azul. encontrei a inquietação da beleza perfeita. a angústia de não poder lançar o voo sobre a paisagem. a impossibilidade de a guardar. em mim. verde azul.




Foto: S. Miguel, Açores, Lagoa das Sete Cidades

domingo, agosto 05, 2007

amanhecer




lembras-te daquele fio invisível que nos ligava nas horas de solidão? eu julgava saber de ti e tu de mim como se a distância fosse só uma metáfora. e o caminho para encontrar o outro estivesse ao alcance de um fechar de olhos. para ver por dentro. era então o fio que nos unia para lá de toda a saudade. amanheci no escuro da noite. dizia-me o pesadelo que o fio se tinha partido. e eu às voltas. tonta. de não encontrar o caminho para ti. e era escuro. como se todas as luzes estivessem escondidas na bruma. talvez tenha arranhado o corpo. as mãos. não sei. a alma. em vão. a luta. as brumas. o sal molhado. acordei do pesadelo quando fechei os olhos. para ver por dentro. o fio estava suspenso. mas firme. vi-te.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Os deuses da ilha




A ilha acorda-nos estendendo o braço de luz velada pela janela do quarto. Há sempre o canto dum pássaro louvando o sol ou um simples piar melancólico por entre a neblina. Os deuses da ilha são caprichosos. Choram e riem com a mesma facilidade, tornando os dias imprevisíveis. Irão desvendar os tesouros ocultos no corpo da terra ou escondê-los-ão na bruma? Não sabemos. Só podemos estar atentos aos sinais e aproveitar a sua boa disposição para subir o mais alto possível e ver… Tentar assimilar a beleza, tão intensa que chega a doer. Nesta viagem de emoções, o olhar que mais importa é o da alma. É com ela que vemos vales, montes, lagoas e o mar, o mar, o mar… É com ela que sentimos a morna humidade que nos envolve o corpo, caminhamos sobre as pedras negras vindas das profundezas escaldantes da terra e acabamos por adormecer de cansaço físico e emocional, escutando se o vento sopra no início da noite. Como se a ilha nos dissesse que nos espera no dia seguinte, com bruma ou claridade, com chuva ou sol. Até à despedida, que, queiram os deuses, será sempre até breve.



Foto: S. Miguel, Açores, algures no caminho...

quinta-feira, julho 12, 2007

Ser




Ser
Ser só
Ser só simples
Ser só simples solidão

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Faço aqui um intervalo, uma breve pausa. Voltarei lá para Agosto. Para todos, boas férias ou bom trabalho, consoante o caso.