segunda-feira, julho 02, 2007

Sob o sol, a treva...




Por vezes vemos. Por vezes passamos ao lado. Em volta era o jardim e o sol e tudo o que um domingo deve ser. E a vontade de não ver. O desejo de ir embora, passar ao de leve para a consciência não acordar. Para não despertar a angústia. O registo ficou. Quase impúdico. Invasivo. Porquê? Se tivesse uma resposta, talvez tivesse parado. Talvez não captasse o momento, quase só como uma curiosidade.

sexta-feira, junho 29, 2007

A porta




Quando fores embora
Deixa entreaberta a porta do quintal
Não tapes a entrada ao sol da madrugada
Deixa a luz da lua espalhar-se nas paredes
Como se de ti ficasse algum sinal.
Antes de partir
Guarda as palavras naquele cofre inventado
E vê se os risos se misturam com as histórias
Para que ecoe o som das gargalhadas
Presas algures num tempo passado.
E ao partir
Segue o caminho sem olhar para trás
Deixa aberta a porta do pátio onde morei
Por lá estará a linha do meu rosto
E a cor dos olhos que um dia te mostrei.

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Tenho que aqui tornar públicos mais dois agradecimentos: à Vity que deu a este blog o Fly Award e à Helena Nunes que o considerou um Blog com Grelos. Muito obrigada às duas.

terça-feira, junho 26, 2007

Da falsa doçura do ar




O ar até parece doce. Sem sabor da aragem marítima. Sei que o mar não virá hoje. Nem a brisa do monte. Nada que possa ser um sinal de harmonia. Os dias giram sem sentido ou propósito. Até que o vento vire. Até que o sol não queime. Até que o ar chegue saturado do sabor da maresia.

domingo, junho 24, 2007

Um ano por aqui…




Há um ano decidi partir de um porto muito seguro que me tinha abrigado. Tudo na vida é cíclico e tendemos a cansar-nos até dos locais que amamos e sobretudo da “formatação” que impomos a nós próprios. A minha rota trouxe-me até aqui, onde encontrei outros amigos, outros olhares, outras leituras daquilo que escrevo. A meio deste percurso, pela mão de dois amigos muito queridos, um dos quais infelizmente já nos deixou, descobri que podia fazer qualquer coisa com uma câmara fotográfica. Surgiram algumas fotos minhas e também a necessidade de fazer um outro blog mais simples, mais minimalista, sobre o que me preenche os dias através do olhar, do ouvir, do ler. Tem sido bom estar por aqui. Um prazer tranquilo de quem já conta cerca de três anos e meio de blogoesfera. Já não é uma alegria esfusiante, é o calmo desfrute do gosto pela escrita e por esta interacção que por aqui se estabelece.
Alguns amigos “antigos” encontraram o caminho. Para esses, o meu beijo especial, hoje. Para todos, muito obrigada por, durante este ano, terem passado, lido, comentado o que aqui fui deixando.



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Aproveito para agradecer ao moinante que me deu o prémio Cupido, Fonte do amor (hmmm...eu?), à Cris, ao diabinho e à Nadir que me nomearam uma das 7 Maravilhas da Blogoesfera (exagerados...) e à nomundodalua que nomeou este blog como um Blog com tomates (já tenho para a salada...). Sinceramente, a todos muito obrigada e desculpem não continuar as correntes. Quem quiser pegar nelas é bem vindo.